Brigas do casal prejudicam os filhos

Muitas pessoas ainda carregam consigo a crença antiga que as crianças não prestam atenção e não percebem o que acontece ao seu redor.

Baseados nessa crença é que muitos casais têm conversas sérias, discussões acaloradas e até agressões físicas na frente das crianças.

Porém, já é sabido e comprovado que as crianças são capazes de compreender tudo o que se passa ao seu redor, além de captar o clima do ambiente no qual estão inseridas.

Ou seja, elas são capazes de perceber se estão vivendo em um local de paz e harmonia, amor ou discórdia, brigas e desunião.

Existem casais que chegam ao ponto de colocar as crianças no meio das chantagens que fazem com o parceiro

(Ex: se você se separar de mim nunca mais verá o seu filho), ou incluí-los na discussão

(Ex: Você está vendo o que o seu pai faz comigo; Não acredita na sua mãe que ela é louca).

Como conseqüência disso os filhos adoecem, ficam agressivos, hiperativos ou apresentam queda de rendimento escolar.

Mas a maioria dos casais dificilmente vê esses problemas como reflexo do relacionamento doentio que vivem e acabam vendo a situação da criança como mais um problema a ser solucionado.

Na ânsia de solucionar esse “novo” problema, os pais procuram profissionais para auxiliar a criança, mas não informam ao profissional a situação familiar, por acreditar que isso “não tem nada a ver; criança não entende nada”.

Quais as conseqüências dessa omissão?

Crianças tomando antidepressivos e ansiolíticos fortes e psicólogos procurando distúrbios de atenção inexistentes, entre outros.

Por isso, aqui vai um alerta!

Evite brigar na frente das crianças, ou colocá-las no jogo do casal, porque as crianças têm sim consciência do que se passa ao redor delas, ouvem as brigas dos pais e ficam perdidas quando são levadas a ficar contra o pai ou a mãe.
Brigas na frente de crianças também podem fazer com que os filhos percam o respeito pelos pais, briguem na escola, agridam os colegas e só conversem gritando.

Isso ocorre por que as crianças tendem a reproduzir na rua aquilo que vêem em casa.

Crianças (principalmente as muito pequenas) são como esponjas: captam tudo o que ocorre perto delas, para posteriormente reproduzir esses comportamentos.

É sabido que as crianças sofrem emocionalmente e psicologicamente quando os pais se divorciam, mas muitas vezes é mais saudável e benéfico para elas viver em harmonia com os pais separados, do que em guerra com eles juntos.

É importante que o casal adepto do pensamento “só não nos separamos porque as crianças vão sofrer” reflita sobre isso e pense se as crianças já não estão sofrendo; se elas já não estão apresentando alterações de comportamento como reflexo da falta de entendimento dos pais.

Caso o casal esteja em vias de se separar, procure um especialista para auxiliar a criança nesse processo, e evite compartilhar a sua raiva do parceiro com a criança para que ela não fique confusa ao praticamente ser obrigada a odiar alguém que ama.

Saiba que quem não ama mais aquela pessoa é você, e para os filhos pai e mãe sempre são vistos com amor, admiração e respeito.

Caminhos que levam a uma gravidez inoportuna

Uma pesquisa recente, realizada na Universidade Estadual de São Paulo, apontou que, frente a notícia de uma gravidez inoportuna, muitas adolescentes contam que se sentiram felizes com a notícia, apesar da empolgação não passar de um contraditório “fiquei feliz, fazer o que, né?”.

A maior parte das entrevistadas não relatou mudança em suas vidas após a gravidez, algumas demonstraram, inclusive, que não tinham qualquer plano de vida, o que se expressou na afirmação preocupante de que “eu não mudei nada na minha vida, eu não tinha plano nenhum”.

Estima-se que essas jovens meninas sejam responsáveis por 20% dos partos no país.

E o que é pior: na maioria das vezes, esse tipo de acontecimento está relacionado à falta de informação e à não-conscientização das adolescentes.

Darci Bonetto, da Sociedade Paranaense de Pediatria, explica que muitos fatores interferem para o aumento desses índices.

Entre os principais, destaca as questões econômicas, carência afetiva e a falta de um projeto de vida.

Segundo a pediatra, apesar de atingir distintas faixas da sociedade é a classe mais pobre que apresenta as maiores taxas de gravidez na adolescência.

“Geralmente, por questões financeiras, essas meninas não têm acesso aos métodos contraceptivos e, por muitas vezes estarem fora da escola, ficam mais expostas aos relacionamentos sexuais antes mesmo conhecer o seu próprio corpo”, admite.

“Sua vida sua voz”

Neste sábado, dia 26 de setembro, mais de 70 países da Europa, América Latina e Ásia participam do dia Mundial da Prevenção da Gravidez na Adolescência 2009, que este ano tem o tema Sua vida sua voz.

A data é promovida por organizações não governamentais e sociedades médicas internacionais com apoio mundial da Bayer Schering Pharma.

Marcos Ribeiro, professor e consultor em educação sexual e prevenção de DSTs (doenças sexualmente transmissíveis), lembra que os pais exercem um papel importante na formação dos filhos, por isso é interessante que o tema sexualidade seja introduzido nas conversas familiares desde a infância, para que ao chegar à adolescência, o jovem já esteja mais consciente.

“Antes da primeira relação sexual é importante que tanto o garoto como a garota reflitam se estão realmente com vontade ou se estão sofrendo algum tipo de pressão para concluir o ato”, observa o especialista.

A relação sexual, muitas vezes, ocorre sem que ambos tenham muito conhecimento, com pouco preparo e cheia de expectativas, tanto para os meninos quanto para as meninas.

Por ser um momento especial, deve ser pensado para que nenhum dos dois se arrependa depois ou no dia seguinte se culpa e sinta medo das consequências.

Pesado demais

Para manter uma relação sexual segura é preciso que os jovens conheçam e usem métodos contraceptivos, isto é a camisinha e a pílula anticoncepcional.

Eles precisam ter plena consciência dos riscos que envolvem uma relação sexual desprotegida, isto é, sem a camisinha, essencial para a prevenção de uma gravidez inoportuna e proteção contra as DSTs.

“É preciso ficar atento, pois nem sempre a conversa com os amigos traz as informações corretas”, realça Ribeiro.

Por isso, a leitura de livros, a pesquisa em sites especializados, o bate papo na escola, a conversa com os familiares ou com alguém de confiança é muito importante para o aprendizado e para uma melhor compreensão do tema.

O especialista diz que é preciso conversar claramente.

O tema precisa fazer parte da conversa dos namorados ou mesmo dos “ficantes”.

Falando sobre isso, os jovens passam a entender o que o outro pensa e como se comporta seu namorado ou namorada.

Assim, se a garota pensa que a relação sexual só irá acontecer se for com camisinha, durante a conversa ela pode saber se o garoto também possui uma atitude de prevenção correta.

É comum os pais acharem que o assunto é “pesado demais” ou que ainda é cedo para conversar com seus filhos, mas a informação é importante para afastar alguns fantasmas e tirar dúvidas que surgem na cabeça dos jovens.

Outro importante fator, citado por Darci Bonetto, que contribui para a precocidade nas gestações é que a idade da primeira menstruação (menarca) vem se antecipando ao longo dos últimos anos.

Assim, a mudança corporal também se dá mais cedo.

“Some-se a isso o explícito incentivo da mídia (revistas, internet e TV) voltado para a sexualidade e teremos um quadro alarmante”, assegura.

A ginecologista Selma Freire alerta que a adolescência é o período em que o útero ainda está em formação e o organismo não está preparado.

“É uma gravidez de risco, pois o bebê pode nascer prematuro, com complicações durante a gestação, principalmente de infecções perinatais”, reconhece a médica.

Segundo ela, até o acompanhamento pré-natal, tão importante para garantir uma gestação e um parto sem problemas, é prejudicado na gravidez precoce.

“Muitas meninas demoram para comunicar à família e não fazem o pré-natal ou se fazem é de forma insatisfatória”.

O recomendável é acima de seis consultas durante o período.

Números que assustam

Dentre os temas ligados à sexualidade, existem dois que têm preocupado especialmente os educadores e os estudiosos da área: a aids e a gravidez precoce.

Quanto ao HIV, a preocupação se justifica, mas a gravidade da gestação inoportuna ainda não foi claramente entendida pela sociedade brasileira.

Os números são assustadores: por ano, são mais de 600 mil partos de adolescentes.

O que é pior: estima-se que são feitos algo em torno de 500 mil abortos, todos clandestinos e ilegais, uma vez que nossa legislação os proíbe.

Com isso, podemos estimar que mais de um milhão de adolescentes engravide por ano no País.

Conforme dados da Organização Mundial de Saúde, o Brasil é o país onde mais se pratica aborto (10% dos abortos mundiais).

São mais de 13 mil abortos por dia.

Praticados por parteiras e curiosas, ou por médicos em lugares sem a mínima condição de higiene, são muitos os casos em que a mulher sofre seqüelas graves.

Informações desencontradas

Principais causas da gravidez inoportuna:


*
Ausência de diálogo com os pais sobre vida sexual

*
Início precoce das atividades sexuais, por influência da mídia e do grupo de amigos

* Confusão entre amor e sexualidade por parte de ambos os parceiros

* Falta de informações sobre reprodução

* Falta de informações sobre métodos anticoncepcionais

* Resistência ao uso de preservativos

*
Necessidade de auto-afirmação

* Rebeldia contra a família

*
Falta de perspectivas pessoais e profissionais

* Ilusão de que por ser muito jovem ainda não é possível a gravidez

Eu envelheci.

Um dia desses uma jovem me perguntou como eu me sentia sobre ser velha. Levei um susto, porque eu não me vejo como uma velha. Ao notar minha reação, a garota ficou embaraçada, mas eu expliquei que era uma pergunta interessante, que pensaria a respeito e depois voltaria a falar com ela.

Pensei e concluí: a velhice é um presente. Eu sou agora, provavelmente pela primeira vez na vida, a pessoa que sempre quis ser. Oh, não meu corpo! Fico incrédula muitas vezes ao me examinar, ver as rugas, a flacidez da pele, os pneus rodeando o meu abdome, através das grossas lentes dos meus óculos, o traseiro rotundo e os seios já caídos. E constantemente examino essa pessoa velha que vive em meu espelho (e que se parece demais com minha mãe), mas não sofro muito com isso.

Não trocaria meus amigos surpreendentes, minha vida maravilhosa, e o carinho de minha família por menos cabelo branco , uma barriga mais lisa ou um bumbum mais durinho.

Enquanto fui envelhecendo, tornei-me mais condescendente comigo mesma, menos crítica das minhas atitudes. Tornei-me amiga de mim mesma. Não fico me censurando se quero comer um bolinho-de-chuva a mais, ou se tenho preguiça de arrumar minha cama, ou se compro um anãozinho de cimento que não necessito, mas que ficou tão lindo no meu jardim. Conquistei o direito de matar minhas vontades, de ser bagunceira, de ser extravagante.

Vi muitos amigos queridos deixarem este mundo cedo demais, antes de compreenderem a grande liberdade que vem com o envelhecimento.

Quem vai me censurar se resolvo ficar lendo ou jogar paciência no computador até às 4 da manhã e depois só acordar ao meio-dia?

Dançarei ao som daqueles sucessos maravilhosos das décadas de 50, 60, 70 e se, de repente, chorar lembrando de alguma paixão daquela época, posso chorar mesmo!

Andarei pela praia em um maiô excessivamente esticado sobre um corpo decadente, e mergulharei nas ondas e darei pulinhos se quiser, apesar dos olhares penalizados dos outros.

Eles, também, se conseguirem, envelhecerão.

Sei que ando esquecendo muita coisa, o que é bom para se poder perdoar. Mas, pensando bem, há muitos fatos na vida que merecem ser esquecidos.

E das coisas importantes, eu me recordo freqüentemente.

Certo, ao longo dos anos meu coração sofreu muito. Como não sofrer se você perde um grande amor, ou quando uma criança sofre, ou quando um animal de estimação é atropelado por um carro? Mas corações partidos são os que nos dão a força, a compreensão e nos ensinam a compaixão.

Um coração que nunca sofreu é imaculado e estéril e nunca conhecerá a alegria de ser forte, apesar de imperfeito.

Sou abençoada por ter vivido o suficiente para ver meu cabelo embranquecer e ainda querer tingi-los a meu bel prazer, e por ter os risos da juventude e da maturidade gravados para sempre em sulcos profundos em meu rosto.

Muitos nunca riram, muitos morreram antes que seus cabelos pudessem ficar prateados.

Conforme envelhecemos, fica mais fácil ser positivo. E ligar menos para o que os outros pensam.

Eu não me questiono mais.

Conquistei o direito de estar errada e não ter que dar explicações .

Assim, respondendo à pergunta daquela jovem graciosa, posso afirmar: ”Eu gosto de ser velha”.

Libertei-me!

Gosto da pessoa que me tornei.

Não vou viver para sempre, mas enquanto estiver por aqui, não desperdiçarei meu tempo lamentando o que poderia ter sido, ou me preocupando com o que virá.

E comerei sobremesa todos os dias e repetirei, se assim me aprouver…

E penso que nunca me sentirei só.

Sou receptiva e carinhosa, e se amizades antigas teimam em partir antes de mim, outras novas, assim como você, vêm a mim buscar o que terei sempre para dar enquanto viver: experiência e muito amor…

ACREDITE EM VOCÊ…

Tenha paciência para vida.

Plante… Cultive… Colha…

Tudo tem seu tempo.

Acredite no seu potencial.

Você é capaz de muito mais do que imagina.

Corra atrás de metas…

Esteja preparado para as próximas

Arrisque-se, acredite que você pode.

Acredite que você vai conseguir.

Acredite mais na sua vida.

Acredite mais em você!

Morte voluntária

Analisar as causas do suicídio e achar formas de prevenção é um enigma, mas possível, segundo especialistas

Por Lílian Cardoso

Depressão é um dos fatores que pode desencadear o desejo suicida, tal como Transtorno Afetivo Bipolar

Mahnaz tinha 6 anos quando sua mãe jogou gasolina nela, nos dois irmãos e em si própria. Queria todos mortos. Estava cansada das traições do marido, mais ainda de apanhar quando reclamava. Seria uma maneira de puni-lo e de mostrar que, assim como ele, era capaz de atitudes extremas. Até hoje, Mahnaz não se recorda do que aconteceu naquele dia, só que em momento algum teve medo, apenas pena da mãe, que chorava muito e acabou indo embora para a casa de seus pais, deixando-os sozinhos e encharcados de combustível”.

O apelo nestas primeiras linhas não é literário. A história – uma mostra da realidade que atormenta muitos lares – é verídica. A Organização Mundial da Saúde calcula que, diariamente, cerca de 60 mil pessoas tentam se matar. Aproximadamente 3 mil conseguem. O número de suicídios cresceu em 60% nos últimos 45 anos. Mas mesmo considerado como um grave problema de saúde pública mundial, o tema ainda é tratado como tabu.

O mistério que envolve o ato faz filósofos, psiquiatras e psicólogos se debruçarem na angustiante busca de porquês. É um caminho árduo de respostas e considerações. Analisar de fato o termo “suicídio” e não encará-lo de forma preconceituosa ou romanceada – como foi feito em Os sofrimentos do jovem Wherter, de Johann Wolfgang von Goethe – é tarefa dificílima.
A jornalista pernambucana Paula Fontenelle é um dos raros exemplos, no Brasil, de quem encarou essa missão, enfrentou o tema e não excluiu qualquer detalhe da própria dor. Foram três anos de pesquisa até concluir Suicídio – O futuro interrompido, obra que foi lançada em outubro de 2008 pela editora Geração Editorial, de São Paulo.

Assim como Mahnaz – que por sorte escapou da morte – Paula, que narra esta história nas primeiras páginas do livro, sentiu na própria pele a herança do suicídio. Em 2005 o pai se matou com um tiro na cabeça. Chocada com a tragédia familiar e inconformada, a jornalista iniciou uma pesquisa. “Num momento deste, a gente quer respostas, quer entender o que leva alguém a tirar a própria vida. Fica um buraco e uma busca insaciável por informação”, descreve.

Paula recorreu às obras de Durkheim, Freud, Aristóteles, além da leitura de várias e recentes publicações estrangeiras. A jornalista também resgatou a história do pai em um dos capítulos da sua obra – certamente o mais difícil, pois analisa o problema a partir do próprio drama. “A idéia inicial era ajudar as pessoas que vivem o que passei, mas depois que estudei bastante vidao assunto pude enxergar outra possibilidade: a de evitar o suicídio. Como? Identificando os sinais e se aproximando, de forma direta, da pessoa em risco. O que nos falta é informação e é essa lacuna que quero preencher”, revela Paula que entrevistou inclusive o psicólogo norte-americano Edwin Schneidman, conhecido como o pai da suicidologia moderna e responsável pela abertura, na década de 1960, do primeiro centro de prevenção ao suicídio nos Estados Unidos.

Vida em Morte

Cerca de 1 milhão de pessoas morrem por ano em decorrência do suicídio. Ou seja, perde- se mais vida com suicídio anualmente do que em todas as guerras e homicídios no mundo. Ainda segundo a OMS, se a prevenção não passar a ser encarada seriamente, esta fatalidade pode chegar a 1,5 milhão em 2020 e de 10 a 20 vezes mais em termos de tentativas.

A previsão significa uma morte a cada 20 segundos e uma tentativa a cada um ou dois segundos. Este índice representa um crescimento de 74% em relação às 877 mil mortes voluntárias registradas em 2002. Nos relatórios mundiais, o suicídio está entre as três maiores causas de morte na faixa etária de 15-44 anos. A cada ano, aproximadamente 100 mil adolescentes se suicidam no mundo.

As taxas mais altas estão no Leste Europeu, particularmente os que faziam parte da União Soviética. As mais baixas estão na América Latina, nos países islâmicos e em alguns países asiáticos. Mas os números servem apenas como referência, porque não se sabe até que ponto a subnotificação – inclusive no Brasil – impacta os índices mundiais. Em relação aos países africanos não há um registro específico sobre a incidência de suicídio, são poucas as informações e pesquisas divulgadas nesse continente.

Fatores de Risco
A Organização Mundial da Saúde estima que 60 mil pessoas tentam se matar, e que 3 mil têm êxito

Quando sabemos que alguém se suicidou, a primeira pergunta que vem à nossa mente é ‘por quê’? E a resposta, normalmente, é vazia. Vazia no sentido em que não diminui nossa indignação, nossa dificuldade em compreender que alguém desistiu da vida. Na verdade, muito já foi pesquisado sobre o assunto e a principal conclusão desses estudos é que em mais de 90% dos casos de suicídio, existe um transtorno mental associado.

Em 2002, a Organização Mundial da Saúde realizou um levantamento em diferentes regiões do mundo. Em quase 16 mil suicídios, em apenas 3% não foi possível fazer um diagnóstico psiquiátrico. No topo da lista vem a depressão. Normalmente a doença ou não foi diagnosticada ou o tratamento não foi seguido (ou prescrito) adequadamente. Mas é preciso deixar claro que a doença não é uma sentença de morte, ao contrário, apenas uma média de 15% daqueles que apresentam depressão grave se suicidam.

Embora a depressão esteja no topo da lista, algumas doenças psíquicas também podem aumentar o risco de suicídio. É o caso do Transtorno Afetivo Bipolar, caracterizado por alternâncias entre fases de mania (hiperatividade) e depressão. O TAB afeta cerca de 1,5% das pessoas. Entre 20% a 50% dos doentes tentam suicídio. Portanto, se essas doenças forem diagnosticadas e tratadas com seriedade, o suicídio pode ser prevenido.

” Perde-se mais vida com suicídio anualmente do que em todas as guerras e homicídios no mundo ”

Um tema silencioso

No Brasil, onde prevenção de suicídios ainda não é tratada como prioridade, o tema é pouco discutido. O motivo talvez seja a prioridade que é dada à violência urbana. Enquanto de 3 a 4 mil pessoas morrem anualmente por suicídio, o País registra cerca de 45 mil assassinatos no mesmo período.

Mas isto é apenas parte do problema. O medo e o desconhecimento também estimulam o silêncio, seja das autoridades responsáveis pelos registros de óbito, seja a própria sociedade que ainda se cala diante da morte voluntária. Em alguns casos a própria família pede que a real causa mortis seja camuflada por eufemismos como “acidente com arma de fogo”, entre outros.

No que diz respeito aos números, o Brasil segue os padrões mundiais, três mortes de homens para cada mulher e elevação nos índices de morte voluntária nos jovens entre 15 e 24 anos. Nessa faixa etária, as taxas entre 1980 e 2000 foram multiplicadas por dez, passando de 0,4 para 4.

Na opinião de Paula Fontenelle, a sociedade ainda não está pronta para este debate, e isso inclui o poder público, mas é preciso que alguém dê o pontapé inicial. “No Brasil, a violência urbana é o grande vilão das mortes, mesmo assim pouco é feito para solucionar o problema. Por trás desta atitude está o medo de encarar o suicídio como um fato, assim como vemos hoje tratarem a depressão que antes era igualmente tabu”.

Um dos capítulos do livro trata da postura da mídia em relação ao suicídio, uma postura também distanciada e superficial. O motivo é o receio de que a publicação de reportagens estimule o que os especialistas chamam de ‘contágio’. “É verdade que isso pode ocorrer, mas o silêncio não ajuda. O que nós jornalistas precisamos é abordar a morte voluntária de forma responsável e não sensacionalista. Temos uma imensa responsabilidade em tratar o assunto adequadamente para ajudar na prevenção”, defende.

A família e os amigos têm de estar atentos aos sinais de comportamento suicida. Muitas vezes o indivíduo dá pistas de que irá se matar.

Mitos sobre suicídio

Durante três anos de pesquisa, a autora identificou alguns mitos que norteiam o tema e, nas entrevistas, procurou esclarecimento para cada um deles. Em capítulo específico, Paula listou as dez principais inverdades e analisou uma a uma baseada em considerações de especialistas. “Quem vive ameaçando se suicidar nunca o faz”. Segunda a autora, este é o mito mais difundido.

De fato, as pesquisas mundiais indicam que mais de 90% daqueles que tiram a própria vida dão sinais de que irão fazê-lo, entre eles, a verbalização de que não querem mais viver. O comportamento autodestrutivo, as palavras de desesperança sempre se apresentam como pedidos de ajuda. “Mas é preciso que exista alguém do outro lado que identifique os sinais, enxergue o sofrimento do outro e parta para a ação”, explica.

A crença de que quem diz não faz é ainda mais recorrente quando vem de um jovem, porque é visto como algo característico de adolescentes, seja na forma de exagero nas emoções ou ainda uma maneira para chamar a atenção. A simples verbalização de querer morrer, normalmente já é um sinal de que há algo a ser investigado.

Outro mito em destaque é acreditar que ao perguntar a alguém se ele ou ela está pensando em se matar você pode estimular essa pessoa a fazê-lo. Ao contrário. O que dizem os especialistas é que se você estiver desconfiando da intenção de alguém, deve abordá-lo da forma mais direta possível perguntando se ele já pensou nisso e se já chegou a planejar o ato. É desta forma que você irá saber a gravidade da situação.

No caminho da prevenção

A grande questão por trás do suicídio é o que fazer – ou mesmo, se há o que fazer – quando uma pessoa chega ao ponto de desistir da vida. Há quem procurar? Depressão, angústia, medo, desamparo, apatia. Estes são os sentimentos que corroem um ser humano até que tudo deixa de fazer sentido. É nesse momento que o suicídio surge como única saída. É o que os especialistas chamam de “afunilamento” das percepções, muito comum em níveis avançados de depressão.

Como ajudar nesses casos? Se aproximando da pessoa, conversando abertamente e a encaminhando a um tratamento adequado. De início, o indicado é tentar entender onde dói, o que o incomoda, o porquê do indivíduo não enxergar outras saídas. Em seguida, procure ampliar sua percepção apontando para opções que ele não consegue ver.

No caso do suicídio, o termo “prevenção” adquire um significado diferente, porque não se trata de um processo preventivo qualquer. A trajetória inclui a identificação de sinais verbais e não-verbais sutis que já indicam certa gravidade no quadro de quem os expressa e é preciso agir rapidamente. Ou seja, não se trata de evitar uma “doença” antes que ela apareça, e sim de estancar um processo já em evolução.

Fonte: http://psiquecienciaevida.uol.com.br/ESPS/Edicoes/38/artigo128070-3.asp

Quem disse que a paixão só dura dois anos?

Cientistas descobrem que chama cerebral da paixão pode se manter acesa por décadas

Eis uma boa notícia para começar o ano: um estudo apresentado na reunião anual de 2008 da Society for Neuroscience, nos EUA, mostra que o cérebro de pessoas ainda apaixonadas pelo cônjuge em casamentos de cerca de 20 anos de duração responde à pessoa amada com a mesma euforia e empolgação (leia-se “ativação do sistema de recompensa”) dos casais recém-apaixonados.

A descoberta, feita pelo grupo da antropóloga Helen Fisher e da neurocientista Lucy Brown, contradiz a visão popular de que a paixão tem data de vencimento: cerca de 18 meses, segundo a imprensa, baseando-se apressadamente em um estudo sobre mudanças no metabolismo de serotonina publicado em 1999.

Helen Fisher não fazia muita questão de discordar, sobretudo devido à sua visão do amor como um vício, uma droga capaz de causar dependência – e as mesmas alterações no cérebro. A antropóloga ficou conhecida por estudos mostrando que a paixão é um estado particular do cérebro de intensa ativação do sistema de recompensa. Esse é o sistema formado por aquelas estruturas, como o núcleo acumbente e a área tegmentar ventral, que sinalizam ao resto do cérebro quando algo interessante acontece, ou tem grandes chances de acontecer, nos dando prazer e satisfação – que por sua vez nos impelem a fazer o que for preciso para que a tal coisa interessante aconteça de novo, e de novo, e de novo.

Assim acontece quando vemos a pessoa por quem nosso cérebro se enamora: os neurônios da área tegmentar ventral ficam excitados e liberam dopamina sobre os do núcleo acumbente – e com isso ficamos eufóricos e altamente motivados a encontrar lugar na agenda, faltar ao trabalho, virar madrugadas, atravessar a cidade a pé e o que mais for necessário para ficar perto daquela pessoa. Na definição de Helen Fisher, a paixão é um estado de motivação elevada, e não uma simples emoção.

E como estado de motivação elevada, ela seria por definição passageira, conforme o cérebro fosse se habituando aos níveis elevados de dopamina associados ao objeto da paixão. Em seu livro “Why we love”, Fisher não defendia o prazo de validade de 18 meses a dois anos da paixão – mas também não o refutava. Pelo contrário: no livro, Helen explica como, uma vez passada a novidade e a euforia iniciais, o sistema de recompensa arrefece. Com isso, chega de paixão: nada de arroubos intensos, de grandes esforços, de noites sem dormir. Na melhor das hipóteses, a paixão se transforma em amor (uma hipótese muito boa, por sinal!).

Mas agora ela mesma mostra que isso não é necessariamente verdade: a queda na ativação do sistema de recompensa pelo objeto humano dos nossos desejos não é inevitável, não é inexorável, não é uma consequência da própria paixão. No cérebro de 17 pessoas casadas em média há 20 anos e ainda apaixonadas por seus cônjuges, Fisher, Brown e sua equipe encontraram a mesma ativação forte no núcleo acumbente e no estriado ventral que são típicas dos casais recém-formados, além de ativação em outras áreas do cérebro envolvidas na formação de laços afetivos.

Ou seja: a paixão pode durar e, ao invés de “apenas” se transformar em amor, pode até coexistir com ele. E mais: está ao nosso alcance contribuir para manter acesa a chama cerebral da paixão por anos a fio. Como? Buscando, junto com a outra pessoa, ativar os respectivos sistemas de recompensa ao mesmo tempo, com novidades, diversão, humor, carinho, assuntos interessantes, e… sexo, que continua sendo a mais forte cola social conhecida da neurociência. Assim os cérebros amantes se mantêm motivados um com o outro, pois associam a presença da pessoa amada ao que existe de melhor na face da Terra.

Um feliz 2009 para você, leitor, e que as ativações do seu sistema de recompensa sejam duradouras!
(SHH)

Copyright © 2007, Suzana Herculano-Houzel. All rights reserved.

Fontes:
Acevedo BP, Aron A, Fisher H, Brown LL (2008) Neural correlates of long-term pair-bonding in a sample of intensely in-love humans. Program No. 297.10, Neuroscience Meeting Planner, Society for Neuroscience, Washington: DC.

Marazziti D, Akiskal HS, Rossi A, Cassano GB (1999) Alteration of the platelet serotonin transporter in romantic love. Psychol Med 29, 741-745.

Para saber mais:

Fisher H (2004) Por que amamos: a natureza química do amor romântico. Rio de Janeiro, Record.

Herculano-Houzel S (2008) Fique de bem com seu cérebro. Rio de Janeiro, Sextante.

HOMEM & MULHER: UMA RELAÇÃO AINDA EM CONSTRUÇÃO


‘Cobramos os homens por não ajudarem. Só que, quando eles tentam, nós criticamos, pois não conseguem fazer exatamente do ‘nosso jeito’. O resultado é que acabamos fazendo tudo e, assim, adquirimos mais uma tarefa.’-
Cecília Russo Troiano, psicóloga

‘Antes, as mulheres se queixavam dos obstáculos que enfrentavam para ‘chegar lá’. Hoje, o grande problema -do ponto de vista de quem as escuta- é a dificuldade de suportar tudo o que conquistaram.’-
Jorge Forbes, psicanalista

‘No bar, eles contam piada, falam de futebol e realmente relaxam. Já as mulheres, quando se encontram, falam sobre problemas -de casa, do trabalho, no amor… ‘-
Mônica Waldvogel , jornalista

‘Muitas já não querem a posição máxima dentro da empresa. Sabem que os postos de destaque vão exigir viagens, horas a mais de trabalho, muita dedicação. Esse é o conflito feminino de hoje.’ –
Jorge Forbes, psicanalista

SERÁ QUE SABEMOS SER FELIZES?
OU PREFERIMOS BRIGAR PARA ESTARMOS CERTAS?

Antigamente a mulher ganhava dinheiro pra cobrir apenas os seus luxos. Mas nos dias de hoje o orçamento familiar depende desse salário – muitas vezes, totalmente. Quantas as mulheres mães solteiras ou mesmo separadas e casadas que tem a responsabilidade pela maior parte do orçamento do lar.

Como administrar a profissional, mãe e mulher? Como ser feminina, atraente e competente? Onde está o tempo para cuidar de si, da beleza, da diversão, das amigas, do esporte? Qual o tempo para ficar com os filhos? Com o marido? Onde colocar tudo isso em um dia de apenas 24 horas!!!!!

Qual a posição do marido, namorado e companheiro? Deixamos espaço pra isso?Permitimos ser ajudadas? Abrimos mão destas tarefas que nos sobrecarregam, mas nos dão a sesnsação de sermos “superpoderosas”?

Estas perguntas andam pelo ar e incomodam. Acho que a “casa das mulheres” é o lugar onde podemos encontrar e descobrir muitas delas através da troca efetiva com outras mulheres. Temos que abrir mão da perfeição – não precisamos ser nota dez, contentemonos com 7 – assim vai dar pra fazer tudo de maneira satisfatória e alegre. Mas se quiser ser perfeita, nota dez em tudo, sinto comunicar, isso trará muito mais tensão do que real satisfação e reconhecimento.
Sandra Regina, RJ, Médica

A BUSCA DA BELEZA: APRECIE COM MODERAÇÃO!

Se Vinicius de Moraes já dizia que a beleza é fundamental, quem haverá de contradizê-lo? A beleza faz bem para os cinco sentidos, e precisa ser buscada e cultivada por todos os sexos e todas as idades. Ela está também ligada à saúde: pessoas saudáveis são mais belas; pessoas feias freqüentemente têm sua vida emocional prejudicada pela aparência física.
O problema começa quando se pensa que beleza física é tudo, quando se quer rivalizar com Afrodite e Adônis, deuses gregos da beleza. Quando se acredita que é vital ser “jovem e belo”, pois o contrário, isto é, “velho e feio” é sinal da morte, simbolizada pelo esquecimento social. A procura desesperada pela beleza pode levar ao desencadeamento de problemas emocionais e até doenças mentais naqueles que são psicologicamente mais frágeis.
Se observarmos como a mídia retrata as mulheres, notamos que as bem-sucedidas de hoje são geralmente magras. Para ter o “corpo certo”, muitas delas se apegam e escravizam às indústrias da moda e da dieta, que criam o modelo ideal e depois propagandeiam e vendem este modelo para mulheres de todas as idades e níveis sócio-econômicos. E este trabalho não acaba, pois o padrão muda o tempo todo. Atualmente, o corpo da mulher “tem que ser” magro, sem pêlos supérfluos, desodorizado, perfumado e bem vestido. A mulher que é gorda, portanto, será notada e criticada por isso, tornando-se vulnerável e sofrendo nítida desvantagem nos mercados profissional e amoroso. Entretanto, numa demonstração plena da sua ambivalência, a moral patriarcal tende, por outro lado, a estigmatizar a mulher magra e bonita como vaidosa, fútil, frívola, incompetente, a “bonita e burra”.
Em relação aos homens, o problema é igualmente sério. Ao invés da obsessão pela magreza, como ocorre nas mulheres anoréxicas e bulímicas, aqui se persegue o corpo forte, atlético, viril, símbolo de masculinidade e poder. E assim eles caem na vigorexia ou “complexo de Adônis”, onde não importam mais trabalho, amigos e amores, mas apenas a obsessão pelo corpo perfeito.
É cada vez mais intenso o excesso que vem sendo dedicado ao exercício físico, sobretudo por homens e mulheres que visam desesperadamente alcançar a “forma ideal”. Surgem continuamente novas publicações, sob a forma de revistas de fitness, revistas dedicadas a adolescentes, enfatizando as dietas e os exercícios praticados por artistas e modelos. Nos comerciais, então, só existe lugar para o ideal estético, para o corpo perfeito. Ao mesmo tempo, entretanto, assistimos à enorme expansão das redes de fast food, concomitante ao aumento da taxa de obesidade da população. A prevalência dos transtornos alimentares em pessoas jovens pode surgir desse conflito entre cultura e biologia, que alimenta a “cultura do narcisismo”. A existência do “peso ideal” e do “corpo ideal”, na nossa cultura, é desencadeadora de depressão e de transtornos alimentares.
Uma doença relativamente recente é a body dismorphic disorder (BDD) ou “dismorfofobia” ou “doença da feiúra imaginária”, que é a preocupação com um defeito imaginário na aparência física (por exemplo um nariz largo, orelhas de abano ou genitais pequenos).
Os sintomas de BDD focalizam-se em diversas partes do corpo, mas 93% envolvem a face ou a cabeça: cabelo, nariz, pele, etc. Com raras exceções, todas as partes preocupantes do corpo parecem normais aos outros. Muitas preocupações são específicas – por exemplo um nariz grande, um lábio torto, uma cabeça com forma de ovo, ou cabelo ralo – mas outras são notavelmente vagas.
Os que sofrem dessa doença gastam muitas horas do dia ansiosos com seus “defeitos”, e alguns dizem que esta preocupação domina suas vidas, pois pensam sobre isso “o dia inteiro, todo dia”. Vários deles checam continuamente suas aparências em espelhos e outras faces refletoras, como pára-choques de carros e janelas de vitrines; outros evitam espelhos; muitos vivem questionando os outros sobre suas aparências. Grande parte deles tenta camuflar o defeito imaginário, deixando o cabelo longo para disfarçar uma barba “assimétrica”, estufando os calções para “aumentar” um pênis “pequeno”, ou armazenando chumaços de papel na boca para alargar um rosto “estreito”. Entretanto, tal comportamento pouco contribui para aliviar a ansiedade e desgosto destas pessoas.
Por tudo isso, buscar a beleza é saudável e fundamental, mas vale também aqui o famoso slogan: “Beleza física: aprecie com moderação!”

Arthur Kaufman
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